Latinidades Pretas é uma plataforma online criada para reunir conteúdos, gerar renda e dar suporte à empreendedoras e empreendedores negres, trabalhadores da cultura e da economia criativa. Nasceu com a emergência da crise sanitária e humanitária global desencadeada pela pandemia da Covid-19 e por uma ação colaborativa entre Instituto Feira Preta e Instituto Afrolatinas, no exercício de contribuir para a redução dos impactos econômicos da Covid-19.

Com a necessária suspensão de eventos culturais, fechamento de estabelecimentos comerciais e outras medidas para garantir o isolamento social, ficou ainda mais evidente a vulnerabilidade das trabalhadoras da economia criativa: empreendedoras, produtoras, artistas, artesãs, escritoras, chefes de cozinha, mães, trabalhadoras domésticas, intelectuais, mulheres autônomas, a maioria em trabalhado informal.

 

Notamos que a produção e disponibilização de conteúdo online têm priorizado como objetivo o entretenimento e a capacitação das pessoas que estão em quarentena, porém, acreditamos na necessidade de ir além e criar estratégias para a monetização/geração de renda para as conteudistas porque estamos falando de uma parcela da população brasileira extremamente vulnerabilizada econômica e socialmente. 

Sabendo que empreendedoras criativas negras, em geral, não possuem fundos de reserva para o próprio sustento, geram renda para outras famílias com seu trabalho e ainda são arrimos de família, na primeira edição do projeto voltamos as ações apenas para mulheres negras.

 

Foram oferecidas 68 bolsas para trabalhadoras negras da cultura, que geraram conteúdo para a plataforma Latinidades Pretas. A ideia era que a plataforma venha a se tornar um portfólio online e uma vitrine para as produções dessas mulheres e tem surtido efeito. Para garantir transparência ao processo de seleção, realizamos um chamamento público com alcance em todo o Brasil e outros países da América Latina.

 

Recebemos, em uma semana, 1447 inscrições, de todas as regiões brasileiras mais 9 países. Os conteúdos foram os mais diversos, de todas as linguagens artísticas e em diferentes formatos e suportes. Em poucos dias Latinidades Pretas se materializou e se agigantou, mostrando potencial de continuidade. 

Considerando o alcance do projeto e o interesse das empreendedoras negras, evidenciado pelo volume de inscrições em tão pouco tempo, os Institutos Afrolatinas e Feira Preta, desenharam a segunda etapa do projeto, desta vez voltada para criadores e criadoras negres LGBTQIAP+, considerando que o Brasil é um dos países que mais mata e violenta essa população.

 

A violência, vulnerabilização e negação de direitos a essas corpas é ainda mais intensificada no caso das pessoas negras. Pretendemos, portanto, incidir positivamente neste cenário, sobretudo de emergência econômica em função da Covid-19, para gerar renda e dar suporte a empreendedores e empreendedoras negres LGBTQIAP+ em suas trajetórias e negócios dentro da cadeia produtiva da cultura.

Assim como a primeira etapa do Latinidades Pretas teve como um dos objetivos criar um espaço para abrigar portfólios de trabalhadoras negras da cultura, registrando a memória de seus fazeres e gerando possibilidades de novas contratações, a segunda etapa do projeto foca na memória das culturas e das pessoas LGBTQIAP+ negres, trabalhadoras da cultura – um legado cultural e identitário potente que resiste diariamente ao apagamento, marginalização, discriminação e à todo tipo de violência impetrada contra os corpos que o preconceito e os fundamentalismos elegeram como proibidos.

 

Nosso compromisso é com a memória, história e proteção do vasto patrimônio cultural imaterial das culturas LGBTQIAP+ e da contribuição desta população para a humanidade, sobretudo no que diz respeito ao fortalecimento de identidades, saberes e narrativas disputadas por meio das artes e da cultura.

Quem faz?

INSTITUTO AFROLATINAS

Organização de mulheres negras que realiza o Latinidades, maior festival de mulheres negras da América Latina. O Instituto Afrolatinas desenvolve ações transversais, a partir do lugar das artes, da cultura e da educomunicação. É uma plataforma de formação, aceleração, inovação, tecnologia e impacto social, que se utiliza de metodologias disruptivas para atuas nos temas do empreendedorismo; geração de renda; produção, gestão cultural, políticas públicas e empoderamento, especialmente, de mulheres e meninas negras. 

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INSTITUTO FEIRA PRETA

Organização que coordena o maior festival de cultura negra da América Latina, a Feira Preta. O Festival é o espelho vivo das tendências afro-contemporâneas do mercado e das artes, além de ser o espaço ideal para valorizar iniciativas afro-empreendedorasde diversos segmentos. Uma das maiores referências quando o assunto é empreendedorismo negro. Em 19 anos de atuação foram originados diversos projetos pioneiros que impactaram positivamente a vida de mais de dois mil empreendedores negros, em nível nacional. Responsável por projetos como Afrolab, Pretahub, Festival Pretas Potências e cofundador da Coalizão Fundo Éditodos.

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